Éden

7 Fev 2020

Todos somos um jardim. Deste modo, temos a obrigação, embora muitas vezes esquecida, de nos amar e cuidar, de forma a que nos seja possível existir em todo o nosso esplendor.

Porém, como todo o jardim, parasitas profanam-no, sufocando-o, destruindo-o. As maleitas, infelizmente mais comuns e, por isso, tendencialmente banalizadas, são a solidão, o medo, a angústia, sendo seguramente, de todas, as mais problemáticas que urgem à erradicação.

Olhemos então, caro leitor, cada um para o seu (outrora) imaculado jardim. Observemos as nossas divinalmente belas e cheirosas flores que têm todas as cores do espectro e todos os feitios e as viçosas e altas árvores que sustentam o Ser. Ama o que vê? Então, insurja-se contra as pragas e contra quem facilita a sua entrada. Combata estes sentimentos que corrompem. Lute contra a monocromática monotonia que por eles é trazida e que fere, verga e mata.

E lembre-se sempre: será sempre uma guerra que terá a duração da sua vida, portanto leve uma batalha de cada vez, apreciando as suas vitórias. Congratule-se por elas.

No fim, volte ao seu jardim e contemple-o; lembre-se do quanto o ama e volte a plantar e nutrir paciente e carinhosamente tudo no que nele habita, transformando-o no seu edénico viridário.

 

Vittorina Gonçalves Rocha

Estudante universitária