Como educamos para a gentileza?

11 Dez 2018

Se te queres sentir bem... pratica o bem. A ciência tem vindo a demonstrar isso mesmo. Ao praticar o bem promovemos a nossa saúde e bem-estar. Ainda que forte de conteúdo, esta ideia apresenta uma mensagem/visão autocentrada. A ciência demonstra que os maiores benefícios para a saúde e bem-estar surgem quando a pratica do bem é genuína, centrada no outro e não no resultado que iremos obter com essa ação. Dalai Lama ensina-nos: “It is by giving warmth and affection, by having a genuine sense of concern for others, in other words through compassion, that we gain the conditions for genuine happiness”.

Se ser gentil e dar aos outros traz benefícios para a nossa saúde e bem-estar, também é desta forma que construímos relações mais estáveis e felizes, que aumentamos a nossa rede social, que cuidamos de quem nos rodeia e que construímos comunidades mais próximas e positivas. Moralmente é também a forma de estar mais “defendida”. Está tudo em consonância. Vale a pena ser gentil, praticar o bem.

Se assim é, como educamos os jovens para serem gentis?

1. A primeira regra de ouro: dá o teu exemplo. Aquele provérbio popular “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, não funciona. Ensinamos muitíssimo mais pelo exemplo que damos do que por aquilo que possamos dizer. Assim, se és Pai e queres que o teu filho diga obrigado, se faz favor, bom dia... fá-lo também. Se és professor e queres que os teus alunos te escutem, dá primeiro o exemplo escutando-os. Se és treinador e queres que os jovens te respeitem, dá o exemplo respeitando também as suas necessidades. E por aí adiante. Construímos a sociedade sobretudo à semelhança do exemplo que damos. 

2. Cultiva o espírito de gratidão;

3. Incentiva o jovem a cuidar dos outros, seja dos animais, do meio ambiente, de um amigo, de um desconhecido por quem passou. Cuida;

4. Ensina-o a praticar uma gentileza genuína, não como meio para chegar a determinado fim, e para com todos, não apenas com aqueles que “precisam” ou só com alguns;

5. Ensina-o a ser gentil consigo mesmo (autocompaixão);

6. Treina a sua Inteligência Emocional (que tome consciência do que está a sentir, como se sente em relação ao que está a sentir, que manifestações físicas tem quando sente o que está a sentir e que considere outras formas de ver a situação que lhe está a provocar uma sensação desagradável)

7. Torna a gentileza num hábito em casa, na escola ou no treino;

8. Treinem a atitude de não-julgamento;

9. Ensina o jovem a não esperar que tudo seja perfeito ou a cultivar o perfeccionismo, a competitividade, ao invés ajuda-o a cultivar a aceitação, a cooperação, a visão de que a perfeição está na imperfeição;

10. Treina a observação atenta, o estar presente;

11. Ensina-o a ser um bom ouvinte;

12. Ensina-o a ser um amigo com A grande e a ser delicado com os outros.

Parte para a ação. Aproveita o espírito deste mês. Planeia uma ação na qual a família, a turma ou a equipa cuide de alguém, de um animal ou do ambiente. Partilhem algo vosso. Sorriam mais. Interessem-se genuinamente pelas pessoas no geral ou por uma pessoa em especial. Façam uma doação. Façam o download do Calendário da Gentileza de dezembro do Action for Happiness e façam as tarefas sugeridas para cada dia (http://www.actionforhappiness.org/do-good-december).

Que o espírito deste mês se possa prolongar pelos restantes :)

“Love, kindness, compassion and tolerance are qualities common to all the great religions, and whether or not we follow any particular religious tradition, the benefits of love and kindness are obvious to anyone”. Dalai Lama (Tweet de 10/12/2018)

Marco Clemente

 

 

(créditos: Photo by Sandrachile . on Unsplash)