Quando a vida nos põe à prova... mais uma vez!

11 Out 2019

Quando a vida estabiliza, mais uma vez, quando tu consegues recomeçar o teu jardim, quando as flores começam a florir, mais uma vez, vem a vida dizer-te: “Não menina Maria, tens mais uma dura prova para vencer, tens o teu filho para ajudar numa etapa difícil e sem hora marcada para terminar, depois cuidas do jardim”.

O meu nome é Maria e quero partilhar convosco uma parte da minha história de uma forma sucinta, como se pudesse ser sucinto tanto episódio, tanta dor, tanta angústia, tanta lágrima.
Tenho um filho adolescente que adora surf desde menino. Um rapazinho bonito, cheio de amigos, popular entre as miúdas, anda na escola, pratica desporto. Enfim uma vida bonita para um rapaz de quase 17 anos.

Mas, e porque há sempre um mas…
… Um dia, e sem aviso prévio, algo acontece que nos deixa sem chão. O que é isto? Coração a disparar, suores: "Mãe vou morrer, não sei como se respira, vou parar de respirar”; “Mãe, por favor, não me deixes morrer”. Estas passaram a ser algumas das frases do nosso dia-a-dia. Na minha ignorância, não sabia que era um ataque de pânico, nem como lidar com isto, muito menos como lidar com um filho que no espaço de uma semana se isola, deixando de fazer tudo o que gosta. Ficou completamente dependente da minha presença, da sua solidão, do medo e do medo do medo.

Em duas semanas, estávamos na primeira consulta de pedopsiquiatria. Medicação sem sucesso vezes e vezes sem conta. Meu Deus que desespero. Será que experimentar haxixe meia dúzia de vezes dá nisto? Terá sido o gatilho para este estado psicológico? Segundo os senhores da bata branca, há muitos adolescentes com doenças psicológicas, pelas experiências com os canabinóides.
Nada parecia resultar e a hipótese que fizesse algo pior para parar com o sofrimento, levou-nos às urgências. Cautelosa, a doutora não me evitou o sofrimento de ver o meu filho internado em pedopsiquiatria durante 3 semanas.
Não vos digo que foi fácil, mas foi o melhor que podia ter acontecido ao meu menino grande. Sofreu, chorou, doeu, mas, felizmente, depois de sair começou a fazer o seu caminho, lutando por pequenas vitórias, tentando recuperar a vida que tinha com avanços e recuos.

O que ele ainda não sabe, é que mudou. Vai aprender, quando estiver mais preparado, que a vida é para viver dia-a-dia. Tento ajudá-lo, escutando-o, aconselhando-o. O caminho é longo, mas não é impossível.

Devagarinho já consigo recomeçar o meu jardim. A vida é o agora, um dia de cada vez. Sei que a qualquer momento pode tocar o telefone: “Mãe preciso de ti, anda cá. Preciso do S.O.S que está contigo”.
Eu, Maria, vou sendo feliz aos bocadinhos, reconstruindo-me aos pedacinhos de tanta vez que a vida me tirou as flores do jardim. Acredito, acredito sempre que amanhã o dia vai ser melhor e que daqui a uns tempos tudo não passará de lembranças do crescimento difícil de um menino que não sabia lidar com as emoções, com as novidades e com os desafios.

Bem hajam,
Maria